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domingo, 5 de agosto de 2012

O Passaro que não voava

O Pássaro que não voava


A noite foi tranqüila e o dia seguinte prometia ser muito feliz, pois finalmente, depois de dezoito dias de incubação, aquele ovo dava sinais de que seria rompido. Estranhamente a mamãe Periquito pôs apenas um ovo desta vez e comentava isto com seu marido, mas este estava tão ansioso pelo nascimento que não discutia o assunto.
Quando os primeiros raios de sol começaram a tocar as folhas das árvores, de cima de uma delas o ovo se quebrara e o pequeno Periquito Tuim foi lançado ao chão. Caiu e sentiu dor, mas uma dor tão intensa, que chorou. Foram aquelas as primeiras lágrimas do pequeno Periquito Tuim.
Durante vários dias Mamãe Periquito voava para bem longe onde podia encontrar sementes e frutos de palmeiras e imbaúbas, que serviria de alimento para seu filhote. Arrancava um pequeno pedaço e voava com ela no bico. E no bico, lhe entregava. Mas o pequeno Periquito Tuim tinha muita fome, e sua mãe fazia este trajeto várias vezes por dia, até que ele não mais reclamasse.

Mas certo dia foi chegado o tempo - e sobre isto somente a natureza pode explicar - em que o pequeno Periquito Tuim deveria seguir seu próprio rumo e desta forma, sua mãe lhe falou:

"De hoje em diante você deve buscar seu próprio alimento.
- dizia ela mesmo que um tanto quanto insegura. Deverás voar pelo mundo, descobrir novos lugares e entender que você é livre para fazer o que deseja, mas com responsabilidades".

"Mas o que é ser livre?" - perguntou ele.

"Ser livre é não estar preso dentro de uma casca". - respondeu a mãe.

E usando este termo, o pequeno Periquito Tuim entendeu perfeitamente, pois ainda se lembrava desta condição.

"E o que é responsabilidade?" - insistiu ele.

"É a obrigação que você tem de responder pelos seus próprios atos. - respondeu ela.
- Quer dizer que você pode voar, porque é livre, mas terá que conhecer as pessoas e os lugares que você irá freqüentar, pois será responsável por tudo isso, por cada bater de asas em seu caminho'.

"LIBERDADE E RESPONSABILIDADE" - repetiu ele em alto e bom som para que não se esquecesse destas duas palavras e de seus significados.
Sendo assim, sua mãe voou, cortando o céu com suas asas e quando o pequeno Periquito Tuim tentou bater as asas para fazer o mesmo, sentiu dor, mas uma dor tão forte que fez com que ele parasse. Olhou rapidamente para o céu e viu que sua mãe se distanciava, perdendo-a de vista.

E durante toda aquela manhã ele passou observando o ninho de onde caíra. Iria esperar até que seus pais retornassem. Mas a tarde estava chegando ao fim, e nenhum dos dois retornou ao lar. O pequeno Periquito então chorou, pois se sentiu extremamente sozinho.


Ouvindo seu choro, um beija-flor se aproximou.

“Porque choras?” – foi sua pergunta.

E o Periquito Tuim, olhando para ele, respondeu:

“Choro porque não consegui voar e meus pais não retornaram para casa ainda”.

“E onde moras?” – perguntava o beija-flor tentando entender um pouco mais aquela situação.

“Moro no alto daquela árvore” – disse ele apontando para o local.

E num piscar de olhos ele foi até o ninho e verificou que realmente não havia ninguém por lá.

“Mas quem é você?” – indagou o Periquito Tuim já com as lágrimas contidas.
“Eu sou um Beija-Flor!” – respondeu orgulhoso.

“Que nome engraçado. Você anda por aí beijando as flores?”

“Nós, os beija-flores, somos os menores pássaros do mundo. Acho que este nome deve ser devido ao fato de que nos alimentamos do néctar das flores através deste bico longo que possuímos. Podemos bater as asas tão rápido que praticamente paramos no ar, e assim, temos nosso contato com as flores. Alguns humanos colocam bebedouros em seus jardins para que a gente se aproxime e encante seus dias”.

O Periquito Tuim não sabia ao certo o que eram os “humanos”, mas não quis entrar em detalhe, pois começava a escurecer e estava bastante preocupado.

“É uma pena que eu não possa lhe ajudar – disse o beija-flor – mas se por acaso eu encontrar com seus pais por aí direi que você precisa deles”.

“Obrigado – disse o Periquito, e como queria saber um pouco mais sobre os “humanos”, deixou no ar esta idéia – e volte algum dia para a gente conversar melhor”.

E assim, o beija-flor bateu suas asas e se afastou em uma velocidade incrível.

Quando o sol começou a se pôr e a sombra já cobria boa parte da floresta, e Periquito Tuim ouviu um canto magnífico.

“Quem está cantando desta maneira tão bela?” – perguntou ele.

Mas não obteve resposta alguma e o canto continuava. Somente quando parou de cantar foi que o pequeno pássaro amarelado se aproximou.

“Boa tarde meu caro Amigo”.

“Boa tarde. – respondeu o Periquito Tuim. – Era você quem cantava?”

“Sim”. – respondeu o pequeno pássaro.

“E qual o seu nome?”
“Eu sou um canário” – respondeu ele.

“Ah, sim. Minha mãe me disse certo dia que os canários são excelentes cantores”.

“E onde está sua mãe?” – perguntou o canário.

E o pequeno Periquito Tuim fez um breve silêncio.

“Eu não sei. Ela estava tentando me ensinar a voar quando senti uma dor em minhas asas. E, infelizmente, ela não olhou para trás e me deixou aqui sozinho”.

“E você não tem medo de ficar sozinho?”

Foi então que o Periquito Tuim percebeu que deveria se impor um pouco mais frente às dificuldades que surgiam.

“Eu já sou grande – disse ele – e já não tenho medo de nada”.

“É uma pena – disse o canário – pois desta forma você pode ficar muito exposto ao ataque do Gavião”.

“Gavião?” – perguntou o Periquito.

“Sim – respondeu o Canário – o pássaro mais temido desta região. Normalmente ele fica no topo das árvores observando sua presa. Dizem que ele só teme os humanos”.

E novamente alguém falava nos humanos, mas desta vez não iria deixar escapar a oportunidade.

“O que são os humanos?” – perguntou finalmente.

O Canário fez um longo silêncio.

“Os humanos são animais muito perigosos e difíceis de se entender”.

Mas aquela frase não havia feito sentido algum para o Periquito Tuim.

“Explique melhor!” – exclamou ele.

“Vou lhe contar uma pequena história e talvez assim você entenda um pouco da natureza destes seres”.

E o Periquito Tuim sentou-se ao seu lado para ouvir a história.

“Era uma vez um lindo pássaro silvestre que ainda muito pequeno foi capturado em um alçapão e retirado da floresta. Desde pequeno fora criado em uma gaiola, sozinho, e alimentado para participar de concursos de canto. Em sua fase de crescimento, ganhou muitas competições e prêmios, mas quando ficou velho seu potencial de canto diminuiu e acabou sendo trocado por outro, mais jovem e mais bonito. Como já não era mais o preferido de seu dono, a alimentação passou a não ser mais a mesma e ele chegou a passar fome e sede, pois sua água já não era trocada”.

O Canário olhou para o pequeno Periquito à sua frente e viu que este prestava atenção às suas palavras.

“Um dia a gaiola caiu e a porta se abriu. Mesmo com o sofrimento de ter sido trocado ele não queria fugir, pois se acostumara demais com aquela vida. Foi quando viu uma canária passar e resolveu segui-la. Era necessário aprender coisas novas e ele sabia que havia uma floresta em algum lugar, da qual ele fora retirado um dia. E assim, ele voou para trilhar seu próprio caminho. Talvez o humano que o criou não tenha nem mesmo sentido sua falta, mas em contato com a floresta sua voz soava melhor e agora cantava com mais vigor e força”.

Quando terminou de falar ele ficou pensativo e foi o Periquito Tuim quem falou:

“Quer dizer que os humanos usam os outros para obter vantagem e quando não precisam mais se desfazem? Quer dizer que eles privam os outros de viverem em seu próprio lar e depois agem assim? Os humanos devem ser terríveis”.

“E depois de algum tempo o pássaro entendeu que a razão de seu canto não estar mais como há tempos atrás era porque se sentia só, e sempre que via outros pássaros sobrevoarem sua gaiola, sentia uma enorme vontade de ser livre”.

“Ser livre é não estar preso dentro de uma casca ou de uma gaiola”. – comentou o Periquito Tuim lembrando as palavras de sua mãe.

O Canário não falou mais nada e apenas se despediu. Já havia sofrido demais nas mãos dos humanos.

Quando o dia amanheceu o Periquito Tuim já estava de pé, mas mantinha-se escondido na base da árvore onde ficava seu ninho. Seus pais não haviam retornado e durante toda a noite ele teve medo. Chegou a se irritar com o barulho que uma coruja fazia, mas nada podia dizer, pois estava sozinho e indefeso e não queria que mais alguém soubesse.

Foi então que avistou um outro pássaro que recolhia gravetos no chão e aquela já era a terceira vez que ele passava por ali.

“Quem é você?” – perguntou o Periquito Tuim.

“Sou um João-de-Barro!” – foi sua resposta.
“João de quê?”

“João-de-Barro. – repetiu ele. Nós somos os maiores construtores que a natureza possui”.

“Mas o que é um construtor?” – indagou o Periquito Tuim.

“Como não sabes o que é um construtor? É aquele que modifica uma paisagem e constrói aquilo que antes estavam apenas em seus sonhos”.

“Está vendo aquele ninho, ali, em cima daquela árvore?”

“Aquele é o meu ninho”. – disse o Periquito.

“Então você deve ser um Periquito Tuim e como sempre acontece, vocês se aproveitam das casas que construímos e que deixamos para trás”. – disse o João-de-Barro embora soubesse que aquele que estava à sua frente era muito novo.

O Periquito Tuim nada respondeu, pois não sabia quem havia construído seu ninho.

“Mas escute, meu rapaz. Se eu fosse você, voltaria para o seu ninho rapidamente. Ontem estive passando por aqui para buscar alguns gravetos e um pouco de barro para construir uma nova casa e vi que você chorava, e depois vi quando o beija-flor e o canário estiveram por aqui. Acontece que pude perceber que o Gavião desde ontem que não sai da copa de uma árvore próxima daqui e, pelo pouco que conheço, ele está à espera de uma presa”.

O Periquito Tuim agradeceu a preocupação do João-de-Barro, e contou-lhe sua história, dizendo que não poderia voltar ao ninho sozinho.

“Então se proteja meu rapaz. Proteja-se”. – e dizendo isso, voltou ao trabalho, e logo em seguida voou com um pequeno graveto no bico.

O Periquito Tuim resolveu não se arriscar demais e voltou para a base da árvore onde estava seu ninho. Qualquer barulho que ouvia vindo do topo da árvore ele olhava para ver se eram seus pais. Mas seus pais ainda não haviam retornado e seu medo aumentava a cada instante.

Foi então que pôde ver um pássaro negro, bem maior do que o beija-flor, o canário ou o joão-de-barro pousar bem próximo a ele.

“Quem é você?” – perguntou o Periquito Tuim.

“Sou um pássaro negro. – respondeu ele. O que faz aqui sozinho?”

E o pequeno Periquito Tuim contou mais uma vez sua história. Falou também sobre as visitas anteriores que tivera, falou sobre o que aprendera sobre os humanos e comentou sobre o que falaram a respeito do Gavião.

“Eles disseram isso?” – perguntou o pássaro negro.

“Sim. E pediram que eu tivesse cuidado”.

“Os pássaros menores, que se alimentam basicamente de sementes e frutos temem os gaviões porque são fracos. – disse o pássaro negro. E estamos na floresta, e sendo assim, o que vale é a lei da selva”.

“O que é a lei da selva?” – perguntou curioso o Periquito Tuim.

“É a lei que diz que os mais fortes dominam os mais fracos”.

“Mas isto não é justo” – esbravejou ele.

“Não é questão de justiça, mas sim de sobrevivência. Nós, os gaviões, somos mais fortes, e temos todo o direito de atacar outros animais. Até mesmo os humanos gostam de nós, pois matamos cobras venenosas. Muitos caçadores nos levam no ombro em suas caçadas porque podemos reconhecer uma presa à distância”.

E quando ele disse isso, o Periquito Tuim tentou não demonstrar o medo que sentia, mas afastou-se bem devagar e entrou na base da árvore onde ficava seu ninho.

“Venha cá que eu ainda não terminei”. – esbravejou o Gavião.

“Você é mal. Ataca animais indefesos conforme me disseram meus amigos”.

“Mal, eu? Só porque não quero passar o resto de meus dias procurando por sementes e frutos? Vou lhe dizer uma coisa Periquito, quando passares fome saberá o que digo. Todos os animais existentes neste planeta – no ar, na água, na terra, e nisto também se inclui os humanos – quando estão acuados eles atacam. Então, se tenho fome, vou atacar aqueles que estiverem mais próximos ou aqueles que forem mais fracos”.

E o Periquito Tuim mantinha-se escondido na base da árvore.

“Mas por hora vou deixar-lhe em paz. Mas tenha cuidado porque, sem asas, não irá muito longe. Se não puder voar, não terá como se alimentar e somente assim descobrirá o significado das palavras que lhe falei”.

E falando isso, o Gavião voou para longe e logo depois pousou em um galho de uma árvore seca e pôs-se a observar as redondezas com sua fisionomia severa e ares de dono dos céus.

A sombra começava a tomar conta da floresta quando o Periquito Tuim ouviu um som que vinha do alto da árvore. Seus pais o saudaram e ele sentiu-se extremamente feliz em vê-los novamente.

“Onde estiveram?” – perguntou ele.

Mas os dois ficaram em silêncio. Seu pai voou em busca de alimento e foi sua mãe quem falou:

“Estivemos todo este tempo observando seus passos. Vimos quando o beija-flor, o canário e o João-de-barro se aproximaram. Tivemos um grande medo enquanto o Gavião conversava com você, mas queríamos ver como você se sairia frente às dificuldades”.

“E como eu me saí?” – perguntou ele sem entender direito aquela situação.

“Maravilhosamente. – foi sua resposta. – já está preparado para seguir sua própria vida, alçar seu próprio vôo”.

“Mas minha asa está dolorida”. – disse ele com um tom de voz bem baixo.

“Vai passar. Em breve estaremos voando juntos, partilhando do mesmo bando. Há dezenas de periquitos Tuim à nossa espera”.

E assim a mamãe periquito pegou seu filho pelo bico e o levou até o ninho. De lá de cima, pela primeira vez, ele prestou atenção no sol que estava se pondo. Contou lhe a história de um pássaro que se tornara um grande cantor e falou tudo o que aprendeu sobre os humanos.

E os dias seguintes foram de repouso, até que o Pequeno Periquito Tuim conseguiu bater suas asas e voar seguindo um bando de outros periquitos. A partir de seu primeiro vôo ele pôde ver toda a grandiosidade da floresta que se erguia majestosa. Viu também o João-de-Barro que estava terminando sua casa no topo de uma árvore bem alta e acenou para ele.
Uma nova vida começa, a partir de agora, para o periquito Tuim, e muitos vôos ainda virão. Sua luta agora era para não ser capturado pelos humanos e nem mesmo ser uma presa muito fácil para o Gavião. Teria que lutar contra a lei da selva, os fracos contra os mais fortes, tentando sobreviver.

Carlos Eduardo Nunes

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Uma historia de amor impossivel

Uma história de  amor impossível
Uma jovem mariposa de corpo frágil e alma sensível voava ao sabor do vento,  certa tarde quando viu uma estrela muito brilhante, se apaixonou...  Excitadíssima voltou imediatamente para casa, louca para contar à mãe que havia descoberto o que era o amor.
- Que bobagem! - foi a resposta fria que escutou. -

As estrelas não foram feitas para que as mariposas possam voar em torno
delas. Procure um poste ou um abajur, e se apaixone por algo assim para
isso nós fomos criadas.
Decepcionada, a mariposa resolveu simplesmente ignorar o comentário da mãe, e permitiu-se ficar de novo alegre com a sua descoberta. "Que maravilha poder sonhar!" pensava.
Na noite seguinte, a estrela continuava no mesmo lugar, e ela decidiu que
iria subir até o céu,voar em torno daquela luz radiante, e demonstrar seu amor.
Foi muito difícil ir além da altura com a qual estava acostumada, mas conseguiu subir alguns metros acima do seu vôo normal. Entendeu que, se cada dia progredisse um pouquinho, iria terminar chegando na estrela, então armou-se de paciência e começou a tentar vencer a distância que a separava de seu amor. Esperava com ansiedade que a noite descesse, e quando via os primeiros raios da estrela, batia ansiosamente suas asas em direção ao firmamento.
Sua mãe ficava cada vez mais furiosa: - Estou muito decepcionada com a minha filha - dizia. -
Todas as suas irmãs, primas e sobrinhas já têm lindas queimaduras nas asas provocadas por lâmpadas! Só o calor de uma lâmpada é capaz de aquecer o coração de uma mariposa você devia deixar de lado estes sonhos inúteis, e arranjar um amor que possa atingir.
A jovem mariposa, irritada porque ninguém respeitava o que sentia, resolveu sair de casa. Mas, no fundo - como, aliás, sempre acontece - ficou marcada pelas palavras da mãe, e achou que ela tinha razão.
Por algum tempo, tentou esquecer a estrela e apaixonar-se pela luz dos abajures de casas suntuosas, pelas luminárias que mostravam as cores de quadros magníficos, pelo fogo das velas que queimavam nas mais belas catedrais do mundo. Mas seu coração não conseguia esquecer a estrela, e, depois de ver que a vida sem o seu verdadeiro amor não tinha sentido, resolveu retomar sua caminhada em direção ao céu.
Noite após noite, tentava voar o mais alto possível, mas quando a manhã chegava, estava com o corpo gelado e a alma mergulhada na tristeza.
Entretanto, à medida que ia ficando mais velha, passou a prestar atenção em tudo que via à sua volta. Lá do alto, podia enxergar as cidades cheias de luzes, onde provavelmente suas primas,
irmãs e sobrinhas já tinham encontrado um amor. Via as montanhas geladas, os oceanos com ondas gigantescas, as nuvens que mudavam de forma a cada minuto. A mariposa começou a amar cada vez mais sua estrela, porque era ela quem a empurrava para ver um mundo tão rico e tão lindo.
Muito tempo se passou, e um belo dia ela resolveu voltar à sua casa. Foi então que soube pelos vizinhos que sua mãe, suas irmãs, primas e sobrinhas, e todas as mariposas que havia conhecido já tinham morrido queimadas nas lâmpadas e nas chamas das velas, destruídas pelo amor que julgavam fácil.
A mariposa, embora jamais tenha conseguido chegar à sua estrela, viveu muitos anos ainda, descobrindo toda noite algo diferente e interessante. E compreendendo que, às vezes, os amores
impossíveis trazem muito mais alegrias e benefícios que aqueles que estão ao alcance de nossas mãos...

Um conto de Paulo Coelho

sexta-feira, 1 de junho de 2012

A Borboleta Orgulhosa

A Borboleta Orgulhosa
História Infantil da Borboleta Orgulhosa

A fofa da borboletinha era uma beleza, mas achava-se uma beldade. Devia, pelo menos, ser tratada como a rainha das borboletas, para que se sentisse satisfeita. Quanta vaidade, meu Deus!
Não tinha amigos, pois qualquer mariposa que se aproximasse dela era alvo de risinhos e de desprezo.
- Que está fazendo em minha presença, criatura? Não vê que sou mais bela e elegante do que você? costuma ela dizer, fazendo-se de muito importante.
Nem os seus familiares escapavam. Mantinha à distância os seus próprios pais e irmãos, como se ela não houvesse nascido naturalmente, mas tivesse sido enviada diretamente do céu. Tratava-os com enorme frieza, como quem faz um favor, quando não há outro remédio.

- Sim, você é formosa, borboletinha, mas não sabe usar essa qualidade como deveria. Isso vai destruí-la! previniu-a solenemente um sábio do bosque.

A borboletinha não deu muita importância às palavras do sábio. Mas uma leve inquietação aninhou-se em seu coração. Respeitava aquele sábio e temia que ele tivesse razão. Mas logo esqueceu esses pensamentos e continuou sua atitude habitual.
Um dia, a profecia do sábio cumpriu-se. Um rapazinho esperto surpreendeu-a sozinha voando pelo bosque.
 Achou-a magnífica e com sua rede apoderou-se dela. Como é triste ver a borboletinha vaidosa atravessada por um alfinete, fazendo parte da coleção do rapaz!

Cada um tem aquilo que merece. Não adianta pôr a culpa de nossos erros nos outros, no destino, em Deus ou na má sorte. Cada um é responsável pelo seu próprio sucesso ou fracasso.



sexta-feira, 20 de abril de 2012

O Ursinho e o Mel

O Ursinho e o Mel



O ursinho era louco por mel. Se dependesse dele, comeria todo o mel que existe no mundo. Passava o dia inteiro a meter o focinho em colméias, onde o mel estava armazenado pelas abelhas. Sua mãe não parava de avisá-lo:


- Ursinho, não se meta onde não é chamado, se não um belo dia você vai levar um ferroada.

O ursinho não dava importância às sábias palavras de sua mãe. Sua vontade de comer mel era maior que tudo. Assim, ele continuava a farejar de colméia em colméia. As abelhas eram bondosas, e até compreendiam o bom gosto do ursinho. Mas, na verdade, o travesso já estava abusando, pois comia num instante grande quantidade de mel, que as abelhas levavam tempo para fazer com esforço.

Finalmente, quando elas perceberam que com bons modos não conseguiam dissuadi-lo da sua gula, decidiram dar-lhe uma lição. Uma forte ferroada no nariz... e o ursinho cheio de dores desatou a correr pelo prado, em direção à casa.

O ursinho guloso passou dois dias de cama, sofrendo dores no nariz.

- Bem que eu havia avisado, ursinho! Mas você não me obedeceu... dizia a mãe, pesarosa pela teimosia do filho.

Onde as palavras não chegam, uma forte ferroada resolve. Não é verdade, amiguinho?

Autor desconhecido


quinta-feira, 15 de março de 2012

Zinho, o Detetive

Zinho, o Detetive
O Detetive Zinho estava em seu quarto arrumando suas coisas de detetive, quando ouviu um grito pavoroso:
- Aaaiiiii!
Zinho saltou da cama, pegou sua lupa e seu chapéu, e abriu a porta do seu quarto. Daí ouviu o grito de novo:
- Aaaiiiii!
Zinho quase se assustou. Mas aí lembrou-se que um verdadeiro detetive não se assusta. Engoliu o susto em seco e pegou um desentupidor de pia que estava no corredor. Com o desentupidor debaixo do braço ele se sentiu mais confiante para enfrentar aquela ameaça terrível. E pôs-se a investigar de onde viriam os gritos.
- Aaaiiiii!
Era o grito pavoroso de novo. Zinho já estava no alto da escada quando decidiu pegar mais uma arma: entrou no quarto da mãe e saiu de lá com um sutiã na mão para usar como se fosse estilingue. Testou o suti-estilingue e... funcionava. Lançou uma bola de meia longe. A bola bateu no espelho do corredor, voltou e bateu na cabeça de Zinho, que ficou meio atordoado. O que mostrava que o suti-estilingue funcionava.
- Aaaiiiii!
Quanto mais descia a escada mais pavoroso o grito ficava. E o detetive Zinho resolveu se armar de um tênis largado pelo irmão mais velho bem no pé da escada. O tênis estava muito sujo e Zinho fez a besteira de cheirar o tênis do irmão.
- Arrgghh! Que chulé! – disse Zinho tapando o nariz.
Era mais uma arma perfeita contra o que quer que fosse que estava causando aqueles gritos de medo. E por falar em grito:
- Aaaiiiii!
Passando pelo banheiro no corredor o detetive Zinho entrou. Pelo barulho que fez deve ter derrubado um monte de coisas lá dentro. E saiu armado de papel higiênico (pra amarrar o inimigo), uma escova de dentes (caso ele esteja com mal-hálito) e um rodo (que podia ser usado como espada ou coisa assim).
Carregado com todos esses apetrechos o detetive Zinho ouviu novamente:
- Aaaaaahhhhhh!
O grito tinha ficado ainda mais pavoroso. E finalmente Zinho pode identificar de onde vinha o grito: da cozinha.
Aproximou-se com cuidado da porta da cozinha, que estava fechada. O detetive Zinho ainda se lembrou de pegar um espanador que estava numa mesinha perto da porta. Por um segundo ou dois hesitou. Devia mesmo entrar? Que terríveis perigos o aguardavam atrás daquela porta.
- Aaaaahhhhhhhh!
Quando ouviu esse último grito não teve dúvidas: ele ia fazer o que tinha vindo fazer. E chutou a porta da cozinha com tanta força que ela se abriu estrondosamente. Pode ver então sua irmã mais velha em cima de uma cadeira. A irmã olhava para o lado e deu mais um grito horripilante:
- Socoorroooo!
Que terríveis monstros marcianos atacavam a cozinha querendo raptar sua irmã? Que perversos bandidos assaltavam a casa em busca dos doces que sua mãe tinha feito para o jantar? Que cruéis monstros sanguinários invadiam a casa prontos para sugar todo o leite da geladeira até a morte?
O detetive Zinho tentou manter a calma. E reparou que sua irmã olhava para baixo. Estalou os dedos e concluiu brilhantemente:
- Ahá! O que está assustando minha irmã deve estar no chão!
Então o detetive aproximou-se do ser maligno que estava causando todo esse terror em sua parente tão próxima. Armado com todos os objetos que pegou pela casa ele não tinha medo, não podia falhar.
E foi então que ele chegou bem perto e pode ver, ali no chão limpo da cozinha... uma barata.

Autor: Emilio Carlos

quarta-feira, 14 de março de 2012

As Fadas

As Fadas

Era uma vez uma viúva que tinha duas filhas.
A mais velha se parecia tanto com ela, no humor e de rosto, que quem a via, enxergava a própria mãe. Mãe e filha eram tão desagradáveis e orgulhosas que ninguém as suportava.
A filha mais nova, que era o retrato do pai, pela doçura e pela educação, era, ainda por cima, a mais linda moça que já se viu.
Como queremos bem, naturalmente, a quem se parece conosco, essa mãe era louca pela filha mais velha. E tinha, ao mesmo tempo, uma tremenda antipatia pela mais nova, que comia na cozinha e trabalhava sem parar como se fosse uma criada.
Tinha a pobrezinha, entre outras coisas, de ir, duas vezes por dia, buscar água a meia légua de casa, com uma enorme moringa, que voltava cheia e pesada.
Um dia, nessa fonte, lhe apareceu uma pobre velhinha, pedindo água:

- Pois não, boa senhora - disse a linda moça.

E, enxaguando a moringa, tirou água da mais bela parte da fonte, dando-lhe de beber com as próprias mãos, para auxiliá-la.
A boa velhinha bebeu e disse:

- Você é tão bonita, tão boa, tão educada, que não posso deixar de lhe dar um dom .Na verdade, essa mulher era uma fada, que tinha tomado a forma de uma pobre camponesa para ver até onde ia a educação daquela jovem.

- A cada palavra que falar - continuou a fada -, de sua boca sairão uma flor ou uma pedra preciosa.

Quando a linda moça chegou a casa, a mãe reclamou da demora.

- Peço-lhe perdão, minha mãe - disse a pobrezinha -, por ter demorado tanto.
E, dizendo essas palavras, saíram-lhe da boca duas rosas, duas pérolas e dois enormes diamantes.

- O que é isso? - disse a mãe espantada -, acho que estou vendo pérolas e diamantes saindo da sua boca. De onde é que vem isso, filha? Era a primeira vez que a chamava de filha.

A pobre menina contou-lhe honestamente tudo o que tinha acontecido, não sem pôr para fora uma infinidade de diamantes.

- Nossa! - disse a mãe -, tenho de mandar minha filha até a fonte.

- Filha, venha cá, venha ver o que está saindo da boca de sua irmã quando ela fala; quer ter o mesmo dom? Pois basta ir à fonte, e, quando uma pobre mulher lhe pedir água, atenda-a educadamente.

- Só me faltava essa! - respondeu a mal-educada- Ter de ir até a fonte!

- Estou mandando que você vá - retrucou a mãe -, e já.

Ela foi, mas reclamando. Levou o mais bonito jarro de prata da casa.
Mal chegou à fonte, viu sair do bosque uma dama magnificamente vestida, que veio lhe pedir água.
Era a mesma fada que tinha aparecido para a irmã, mas que surgia agora disfarçada de princesa, para ver até onde ia a educação daquela moça.

- Será que foi para lhe dar de beber que eu vim aqui? - disse a grosseira e orgulhosa. - Se foi, tenho até um jarro de prata para a madame! Tome, beba no jarro, se quiser.

- Você é muito mal-educada - disse a fada, sem ficar brava.

- Pois muito bem! Já que é tão pouco cortês, seu dom será o de soltar pela boca, a cada palavra que disser, uma cobra ou um sapo.

Quando a mãe a viu chegar, logo lhe disse:

- E então, filha?

- Então, mãe! - respondeu a mal-educada, soltando pela boca duas cobras e dois sapos.

- Meu Deus! - gritou a mãe -, o que é isso? A culpa é da sua irmã, ela me paga. E imediatamente ela foi atrás da mais nova para espancá-la.

A pobrezinha fugiu e foi se esconder na floresta mais próxima.
O filho do rei, que estava voltando da caça, encontrou-a e, vendo como era linda, perguntou-lhe o que fazia ali tão sozinha e por que estava chorando.

- Ai de mim, senhor, foi minha mãe que me expulsou de casa.

O filho do rei, vendo sair de sua boca cinco ou seis pérolas e outros tantos diamantes, pediu-lhe que lhe dissesse de onde vinha aquilo.
Ela lhe contou toda a sua aventura. O filho do rei apaixonou-se por ela e, considerando que tal dom valia mais do que qualquer dote, levou-a ao palácio do rei, seu pai, onde se casou com ela.
Quanto à irmã, a mãe ficou tão irada contra ela que a expulsou de casa.
E a infeliz, depois de muito andar sem encontrar ninguém que a abrigasse, acabou morrendo num canto do bosque.



Autor:  Charles Perrault


segunda-feira, 12 de março de 2012

A Menina e o Vampiro

A Menina e o Vampiro, um conto de Emílio Carlos

Era uma vez uma menina chamada Patrícia que adorava sair para brincar na rua longe da sua mãe.
A mãe sempre avisava:

- Patrícia: não vá muito longe.

Mas não adiantava. Patrícia não obedecia.
Começou brincando perto de casa, com os vizinhos de perto. Logo estava brincando no fim da rua. Depois no outro quarteirão. E no outro.
A mãe saía atrás da Patrícia:

- Patrícia! Hora de fazer tarefa!

E às vezes sabe o que a menina fazia? Se escondia atrás de uma árvore ou de um muro para a mãe não vê-la e ela não ter que fazer tarefa.
Um dia Patrícia saiu de casa depois do almoço. Foi brincando e brincando cada vez mais longe. E quando deu por si estava em outro bairro, sozinha, longe de tudo que ela conhecia.
Para piorar estava anoitecendo e a Patrícia longe de casa. Era a primeira vez que ela ia tão longe.

- Deixe-me ver: se eu for reto aqui saio na rua do meu bairro.

E como tinha descoberto o caminho de casa começou a andar lentamente de volta, brincando pelo caminho.
A noite caiu e Patrícia continuava a andar de volta. Passou por um beco escuro e nem percebeu que dois olhos brilhantes a observavam.
A menina ia calmamente pela rua. E do beco escuro saiu um vulto que ia atrás dela. A menina andava tranqüila. E o vulto a acompanhava de perto.
De repente o vulto pisou no rabo de um gato, que gritou. Patrícia olhou para trás e viu pelo rabo dos olhos o vulto se aproximar. E começou a andar mais rápido.
O vulto também começou a andar mais rápido. Patrícia apertou o passo e o vulto também. Patrícia olhou para trás e pode ver o brilho de dois dentes caninos pontiagudos. Agora ela tinha certeza: era um vampiro que estava atrás dela!
Patrícia começou a correr. E o vulto também corria. Só que como ele era adulto corria mais que ela. E estava se aproximando rápido. Rápido. Cada vez mais rápido.
Patrícia corria mas não conseguia fugir. O vampiro estava bem perto dela agora. Patrícia estava quase ao alcance das mãos do vampiro. E corria o mais que podia.
O vampiro até deu uma risada enquanto ia pra cima da menina. Por sorte nessa hora o vampiro pisou numa casca de banana e caiu de cabeça no chão. Ficou meio tonto e Patrícia conseguiu chegar na rua de sua casa.
Entrou em casa como um foguete e fechou a porta atrás dela.
Contou toda história para sua mãe e prometeu:
- De hoje em diante só brinco no portão de casa.

Autor da História:  Emílio Carlos


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